caxumba-100x100Mais de 500 pessoas já foram diagnosticadas com caxumba no Espírito Santo, só este ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A técnica de imunização da Prefeitura de Vitória, Rúbia Bonella, explicou que até pessoas já vacinadas podem ter a doença. De acordo com a Sesa, o número exato de notificações é de 574. 

Porém, pode ser ainda maior, pois esta não é considerada uma doença de notificação compulsória pelo Ministério da Saúde. Isso significa que as prefeituras não são obrigadas a repassar ao Estado o número de ocorrências da doença em cada município.

O menino Leandro Luppi, de cinco anos, foi uma das vítimas da caxumba. Os primeiros sintomas foram dores no ouvido e na bochecha. A mãe logo desconfiou.

“Na hora que ele estava mastigando, ele falou que estava doendo na bochecha. Eu fui olhar e até imaginei que pudesse ser um dentinho que estivesse nascendo, mas aí vi que estava bem inchadinho, e aí já desconfiei. Fui em um hospital logo para tirar a dúvida e a médica só de olhar já confirmou”, disse a mãe Karolliny Luppi.

Os sintomas da caxumba também são febre e aumento das glândulas salivares, que ficam no pescoço. Se não for tratada, a doença pode provocar meningite e surdez.

No homem, há risco de inflamação dos testículos e, na mulher, do ovário. A recomendação médica é repouso. A transmissão é por via aérea, através de gotículas, ou por contato direto com saliva de pessoas infectadas.

O que intrigou a mãe é que o Leandro já foi vacinado contra caxumba quando era bebê. A técnica de imunização da Prefeitura de Vitória, Rúbia Bonella, disse que casos assim podem ocorrer.

“Isso acontece porque a vacina não confere uma imunidade de 100% contra caxumba, especificamente. Existe uma gama de pessoas que podem ficar suscetíveis à doença”, disse.

 

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A vacina tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola) é produzida por Bio.
Imagem: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Vacina

A vacinação contra a caxumba é ofertada para a população a partir de 12 meses, sendo que para indivíduos até 19 anos de idade, deve ser realizada com duas doses das vacinas tríplice viral e/ou tetra viral, conforme descrito a seguir: 
  
- Aos 12 meses de idade: administrar uma dose da vacina tríplice viral.
- Aos 15 meses de idade: administrar uma dose da vacina tetra viral. Esta vacina pode ser administrada até os 23 meses e 29 dias de idade. Após esta faixa etária, completar o esquema com a vacina tríplice viral.

“Uma vez tomada essas duas doses, essa criança já é considerada vacinada. Não há necessidade de tomar nenhuma dose de reforço ao longo da vida dela. Elas tendo comprovação da situação vacinal, já é considerada imunizada”, explicou Rúbia Bonella.

Indivíduos de 20 a 49 anos de idade não vacinados anteriormente devem ser vacinados com uma dose da vacina tríplice viral. Contudo, na rotina dos serviços de saúde, quando não houver ocorrência de surto de caxumba, caso estes indivíduos comprovem o recebimento anterior de uma dose da vacina dupla (sarampo e rubéola),  tríplice (sarampo, rubéola e caxumba), ou tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela), não está recomendada nova dose de vacina.

As prefeituras da Grande Vitória informaram que as pessoas podem procurar os postos de saúde durante o ano todo. É preciso levar a carteirinha de vacinação.

Foi o que fez a dentista Tatiane Judice. “A minha vacina dupla estava vencendo, eu tinha que tomar o reforço e me sugeriram também tomar a tríplice viral”, contou.

 

Sintomas da caxumba (Foto: Arte/TV Gazeta)
Matéria da TV Gazeta aponta para os principais sintomas da caxumba.
Imagem: Divulgação

 

 

Médico tira dúvidas sobre a doença

Nesta terça-feira (6), o médico Talib Moussallem esteve no estúdio do ESTV 1ª Edição para tirar dúvidas sobre a doença.

Caxumba pode evoluir para meningite?
“A caxumba é uma doença infecciosa aguda. Ela causa febre, mal estar, fadiga, um pouquinho de dor de cabeça nos primeiros três a quatro dias e depois vem a característica principal dela, que é o inchaço das glândulas salivares parótidas. Pode acometer um lado só, ou os dois lados. Passada essa fase, ela pode ter algumas complicações. Cerca de 10% dos casos de infecção pelo vírus da caxumba podem evoluir para o que a gente chama de meningite asséptica. É uma meningite de evolução benigna, não é aquela grave, é mais tranquila, mas pode evoluir com uma complicação muito mais rara de acontecer, que é  a inflamação do tecido nervoso cerebral.”

Caxumba pode ‘descer’ e causar infertilidade?
“A inflamação dos testículos é conhecida como orquite, ela é uma complicação da caxumba, ocorre em cerca de 20% a 40% dos homens afetados, mas uma pequena parte só é que leva à infertilidade. Para essa condição, é recomendado que a pessoa faça repouso e procure seu médico para algumas recomendações, porque tem que manter, por exemplo, o escroto, a bolsa que segura os testículos, suspensa, e fazer uso de antiinflamatórios um pouquinho mais poderosos para diminuir a inflamação.”

O que faz a caxumba ‘descer’?
“Não há nenhum fator de risco para isso. O que se recomenda é repouso para que a pessoa se recupere mais rapidamente. Na dúvida, tem que tomar todos os cuidados. E não há medicamento específico para o vírus, é o próprio organismo que se encarrega de controlar  a infecção.”

 

Fonte: G1/ES