triplice-100x100O número de casos de caxumba aumentou de forma significativa no Brasil em 2016, com surtos registrados em várias regiões, inclusive no Paraná e Pernambuco. De janeiro a setembro, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) registrou 16 surtos de caxumba em todo o Paraná, dois deles na região de Londrina: um em Tamarana, com 33 pessoas infectadas, e outro em Rolândia, com seis casos.

Depois de anos sob controle, a caxumba reapareceu em Pernambuco em 2016. A Secretaria de Saúde, que não registrou surtos da doença ano passado, já contabilizou 32 até agora, com 302 casos concentrados principalmente na Região Metropolitana do Recife, além da Zona da Mata e Agreste. 

Os casos que mais chamaram a atenção em Pernambuco foram dos jogadores de futebol do time Santa Cruz. Após Renatinho, Pisano e Danny Morais, agora é a vez do zagueiro Neris ser acometido pela doença, forçando os atletas a se afastarem dos campos por alguns dias.

 

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Zagueiro Neris do Santa Cruz contraiu a doença. Imagem: Ricardo Fernandes/DP

 

Casos em jovens e adultos

Segundo o chefe da vigilância epidemiológica da 17ª Regional de Saúde do Paraná, Edmilson de Oliveira, a investigação desses surtos mostrou que o perfil da população infectada mudou: antes comum entre crianças, a caxumba agora tem atingido mais adolescentes e adultos jovens. "Dos 39 infectados nesses dois surtos, 31 tinham mais de 12 anos e a maioria foi vacinada contra caxumba na infância", conta.

Já em Pernambuco, o quadro é parecido. O estudante Lucas de Freitas foi apenas uma das muitas vítimas da doença na escola. Só na sua turma, que tem 40 alunos, 19 tiveram a doença. “Muitas dores aqui no lado esquerdo, no maxilar, muitas dores no corpo, moleza”, descreve o adolescente.

O crescimento do número de surtos em Pernambuco fez com que a Secretaria Estadual de Saúde publicasse, em setembro, no Diário Oficial do Estado, a portaria nº 390, que determina que a doença passe a ser de notificação compulsória, ou seja, todos os casos serão contabilizados, inclusive os isolados.

Segundo o pediatra Reinaldo de Menezes Martins, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e consultor científico sênior de Bio-Manguinhos, a população não deve ver esses casos como alarmante. Casos como esses estão ocorrendo em todo o mundo. “A caxumba é doença, em geral, benigna. Antes da vacinação, a incidência da enfermidade era muito maior”, afirma. Vale lembrar que a vacina tríplice viral (que imuniza contra caxumba, rubéola e sarampo) começou a ser ofertada às crianças pelo Ministério da Saúde em 1992 e é produzida por Bio-Manguinhos.

Os colégios que tiverem jovens com suspeita de caxumba devem promover uma campanha de vacinação de contenção, assim como as empresas devem fazer com os adultos. “A melhor conduta é imunizar os que nunca foram, adolescentes e adultos que não sabem/não dispõem de comprovação, e revacinar os que só tomaram uma dose”, recomenda o especialista.

 

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São 32 surtos até agora, com 302 casos principalmente na Região
Metropolitana do Recife. Imagem: Reprodução NETV.

 

Sobre a doença

A caxumba é uma doença infecciosa causada por vírus. Sua transmissão acontece através das secreções respiratórias e saliva. Algumas pessoas não apresentam sintomas, mas, quando eles aparecem, são, no geral, dor e inchaço nas glândulas salivares, febre, dor de cabeça, cansaço e falta de apetite. O tratamento é apenas com alívio dos sintomas, e a recuperação leva cerca de duas semanas. É preciso bastante repouso.

O que fazer, então, para confirmar a doença? “Em geral, o diagnóstico é apenas clínico, mas em estudos clínicos e epidemiológicos podem ser feitos exames de sangue. Esta constatação pode ser feita em qualquer Unidade Básica de Saúde”, respondeu o consultor.

Muitos têm dúvidas se é possível adquirir a doença mais de uma vez. “O vírus da caxumba não imuniza tão bem quanto o da rubéola e do sarampo. É possível, mas raro, ter esta enfermidade duas vezes. A efetividade protetora de uma dose é de aproximadamente 70% a 80%, e com duas doses de 80% a 90%. Não há experiência de três doses na rotina, e não se recomenda a administração de uma terceira dose para controlar surtos”, esclareceu.

 

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A vacina tríplice viral é produzida por Bio. Imagem: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

A caxumba é de fácil prevenção por meio da imunização, que faz parte do calendário de vacinação. Deve ser aplicada a partir de um ano de idade em duas doses, com intervalo de um mês entre elas, em qualquer posto de saúde. Quem tiver tomado apenas uma dose e tiver até 49 anos de idade, pode procurar qualquer posto de saúde para atualizar a caderneta de vacinação. O Ministério da Saúde informa que o estoque deste imunizante se encontra normalizado em todo o país.

 

Jornalista: Gabriella Ponte