chikungunya 100x100A Fiocruz promove, nesta terça-feira (16/8), encontro sobre experiências clínicas em casos de chikungunya em adultos e crianças, voltado para profissionais de saúde. O seminário acontecerá das 9h às 17h, no auditório do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), nocampus de Manguinhos, no Rio de Janeiro. 

A doença tem ganhado evidência no meio científico e na mídia devido ao súbito aumento do número de casos e de mortes relacionadas no Brasil, além da confirmação da transmissão vertical para bebês, que pode levar a sequelas neurológicas e até à morte.

O diretor da Fiocruz Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio, alerta para a gravidade da situação epidemiológica do chikungunya no Brasil e explica que o evento tem o importante papel de capacitar a força de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS) para lidar com uma provável epidemia do vírus no próximo verão.

“A Fiocruz está dando sua contribuição para atuar de forma proativa ante esse evento altamente provável, que é uma epidemia de chikungunya. Estamos preparando, capacitando e atualizando os conhecimentos da força de trabalho do SUS”, explica ele.

 

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Vírus da chikungunya. Imagem: Creative Commons

 

Segundo dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (MS), somente no primeiro semestre de 2016 mais de 137 mil casos de chikungunya foram notificados. O número é quase dez vezes maior que os registros no país durante todo o ano de 2015 (cerca de 14 mil). Conforme a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), o Brasil responde por 77% dos 178 mil casos prováveis da doença nas Américas registrados neste ano. 

Os números do MS também revelam o avanço pelo território brasileiro: até junho, há registro de casos em todas as unidades federativas, totalizando 2.054 municípios com notificações da doença.

Se o vertiginoso aumento do número de casos preocupa, a elevação dos índices de morte pelo agravo também. Em 2014 foram apenas três óbitos relacionados ao chikungunya; em 2015, seis; já no primeiro semestre de 2016, o MS confirmou laboratorialmente 17 mortes pelo vírus.

Essas estatísticas ainda não contabilizam as primeiras mortes de um feto e um recém-nascido pelo vírus no país, noticiada pela secretaria de saúde de Recife em julho. Até então, só havia registro de mortes de idosos.

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya não tem tratamento, somente medicação para alívio da febre e das dores intensas e, muitas vezes incapacitantes, principalmente, nas articulações de pés e mãos.

“Embora a maioria dos pacientes tenha como sequela temporária essa dor, há relato de casos de miocardite (inflamação no músculo do coração) e meningoencefalite (um tipo de meningite) relacionadas à infecção pelo chikungunya”, explica Venâncio.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias