Em tempos de mídias sociais, é importante conhecer a autoria e a credibilidade das fontes de informação antes de sair compartilhando notícias com amigos e familiares. Uma informação sem fundamentos científicos pode viralizar, se tornando um boato e trazendo pânico desnecessário à população.Até mesmo o “feijão nosso de cada dia” tem sido alvo de áudios e mensagens falsas nas redes sociais, especialmente o WhatsApp. Um boato sobre a presença de superbactérias no feijão está circulando e causando uma série de dúvidas na população.

De acordo com as mensagens veiculadas, “nem mesmo água fervente poderia eliminar o microrganismo e só seria possível fazê-lo deixando o feijão submerso em água com meio copo de vinagre durante 15 minutos”.  O pesquisador do Laboratório de Tecnologia Recombinante (Later) e do Programa de Biofármacos de Bio, Jose Procópio Moreno Senna, afirma que o termo “superbactéria”, cunhado pela mídia, tem sido mais usado para se referir a bactérias multirresistentes aos antibióticos empregados para o tratamento clínico.

“Na prática, uma bactéria multirresistente não seria mais virulenta do que uma bactéria sensível. As resistentes aproveitam-se da pressão de seleção pelo uso de antibióticos que “matam” as sensíveis, eliminando a concorrência com as resistentes. Nestas infecções, geralmente o paciente está debilitado, o que leva a uma rápida evolução do quadro infeccioso, com alta morbidade”, destaca.


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Um boato sobre a presença de superbactérias no feijão está
circulando e causando uma série de dúvidas na população
Imagem: Divulgação

 

Esclarecimentos x boato

Ele esclarece que, no caso dos boatos envolvendo a presença de tais supostas “superbactérias” no feijão, um cozimento na panela de pressão seria suficiente para matar qualquer tipo de bactéria comum. “A panela de pressão funciona como uma autoclave – aparelho empregado para a esterilização de bactérias usadas em laboratório”, explica.

O especialista reforça que a preocupação real deve ser com bactérias que produzam esporos, como clostrídios, pois estes sim, que resistiriam ao processo de autoclavagem. “Outra questão importante seria com toxinas que possam estar presentes no feijão e ser produzidas por fungos e leveduras. Ainda não temos nenhum trabalho científico concreto a respeito”, afirma.

 
  
Jornalista: Isabela Pimentel

Imagem da home: Getty Images
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