equidade-icict-100x100Durante o Seminário "Equidade no Território: as dimensões do acesso à saúde", o coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss, fez a seguinte afirmação: “O desenvolvimento capitalista moldou um mundo profundamente desigual. Sociedades de classes e modo de produção e consumo vigentes produzem desigualdades, exclusão e são eco-agressivos”. Sua palestra “Governança global e saúde: agenda 2030 do desenvolvimento sustentável” mostrou como a crise econômica global que iniciou em 2007 continua afetando todo o planeta em diversas esferas, inclusive na área de saúde.

O evento foi promovido pelo Programa de Pós-graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict) no dia 30 de junho, no auditório do Icict. Além de Paulo Buss, o seminário contou com a participação do professor Giuseppe Cocco (UFRJ), com mediação da professora Cláudia Travassos (Proqualis/Icict).

 

Crise mundial e o impacto na saúde

A situação socioeconômica global foi diretamente impactada pela crise que teve início nos Estados Unidos em 2007 e foi se agravando nos últimos anos. Houve uma redução de investimentos públicos e orçamentos sociais, inclusive da saúde. E, com isso, teve o agravamento das desigualdades pré-existentes. “Com a crise, podemos afirmar que houve a privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. A austeridade mata, não é à toa que houve aumento no número de suicídios e da violência urbana”, complementou Buss.

 

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 Paulo Buss mostrou como a crise econômica global que iniciou em 2007 continua
afetando todo o planeta em diversas esferas, inclusive na área de saúde.

 

Além do aumento da pobreza e do desemprego, o planeta sofre com crise alimentar, energética e, segundo Buss, de ética também. Essas consequências trágicas ocorrem com mais profundidade na África, Ásia e América Latina, principalmente nos seus sistemas de saúde. “A expectativa de vida muda bruscamente de um país para outro. No Japão vive-se cerca de 83 anos, muito mais do que em Angola, cuja expectativa gira em torno de 52 anos”, citou. Veja mapa da OMS neste link.

Países começaram a unir forças, a exemplo do surgimento do G8 e G20, BRICS e outros. E mesmo que haja grandes desafios à governança global, (alguns impossíveis de resolver), um dos mais críticos atualmente é saber lidar com áreas endêmicas e epidêmicas de doenças contagiosas e das emergentes causadas pelo Aedes aegypti.

 

Resposta da ONU

Para tentar resolver todos estes problemas, a ONU criou a Agenda do Desenvolvimento 2030: uma resposta global das Nações Unidas e seus Estados-membros. “O debate transcende o interesse exclusivamente global, pelos impactos que os acordos internacionais firmados no âmbito das Nações Unidas têm sobre as políticas nacionais de desenvolvimento que, por sua vez, terminam por interferir significativamente na qualidade de vida e na saúde das populações de todo o mundo”, explicou Paulo Buss.

Um dos objetivos desse documento é assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar em todas as idades, diminuindo a taxa de mortalidade materna e infantil, além de acabar com epidemias de diversas enfermidades como aids e doenças tropicais negligenciadas.

Entre as ações, estão o apoio à pesquisa e desenvolvimento de vacinas, medicamentos e tecnologias para combater doenças e aumentar o financiamento da saúde. “Infelizmente, o governo federal em exercício está andando na contramão desta proposta mundial cortando R$ 2,3 bilhões do orçamento da saúde, incluindo muitos benefícios do SUS que eram oferecidos gratuitamente à população”, opinou. 

 

Texto e imagem: Gabriella Ponte