Divulgados no Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2015, os números indicam que 2015 foi um ano de recordes: quase 200 mil casos e 189 mortes a mais do que em 2013, até então o pior ano da série histórica iniciada em 1990.


Apesar de toda a campanha de esclarecimento e mobilização do Ministério da Saúde, e mesmo com o combate ao Aedes aegitpy motivado pelo medo ao zika vírus, o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho, acredita que 2016 será um ano ainda pior.


A “aposta” de Giovanini foi feita durante o workshop "Arboviroses emergentes: chikungunya e zika", evento preparatório ao III Simpósio Internacional de Imunobiológicos – que marca as comemorações de 40 anos do Bio-Manguinhos.


Sua apresentação "Dengue, chikungunya e zika vírus: cenário epidemiológico", ressalta o crescimento de 8,4% no registro de casos suspeitos nas 15 primeiras semanas epidemiológicas de 2016, na comparação com o mesmo período de 2015. Nele, 977.327 casos foram registrados. Além disso, em 2016 já foram confirmados 168 óbitos por dengue.


Chikungunya pode ter alcançado 1296 municípios


Por sua vez, o chikungunya já foi responsável por 15 óbitos confirmados em 2016. O número de casos confirmados em laboratório somava 1344, em 246 municípios, mas sua “capilaridade” no território nacional pode ser bem maior: em 1.296 municípios existiam 56.461 casos suspeitos nas 15 primeiras semanas epidemiológicas de 2016. Trata-se de um crescimento de impressionantes 529% sobre os 8976 possíveis casos registrados no mesmo período do ano passado. Por fim, no Brasil já circulam – confirmadas – duas linhagens do vírus chikungunya.


Se em 2015 foram registrados três óbitos, em 2016 já eram 14, com mais oito em análise laboratorial para confirmação. Dos óbitos registrados nesse ano, sete (31,8%) eram de pessoas com 60  anos de idade ou mais.


Zika já tem cerca de 38 mil casos confirmados

Por fim, nas 15 primeiras semanas epidemiológicas de 2016 o número de casos confirmados de contaminação pelo zika vírus somava 37.823, em 478 municípios; podendo alcançar 114.118 casos em 1.538 municípios, se considerarmos os casos suspeitos.


Destes, o número de casos confirmados em gestantes era de 3.515, com 9.391 casos suspeitos. Em 2015, ocorreram três óbitos decorrentes do zika já confirmados pelo Instituto Evandro Chagas (MA, RN e PA), mesmo número de casos confirmados em 2016 (MG – 2 (0 anos (feto) e 36 anos) e (RJ -1, 47 anos) e outros 45 em investigação.


Já a distribuição espacial dos casos de microcefalia registrava 1.168 casos confirmados em 428 municípios e 7.150 casos notificados em 1348 municípios.

 

Jornalista: Paulo Schueler