O pavilhão pode se chamar Rockefeller, Henrique Aragão ou Rocha Lima. Ou nem mesmo ser um pavilhão, mas centro tecnológico, como o Konosuke Fukai. Seja qual for a edificação, dentro dela se produz parte da saúde pública brasileira, dia após dia, já há 40 anos, pelos hoje cerca de 1,6 mil colaboradores de Bio-Manguinhos.

Donde surge a curiosidade: por que tais nomes? Qual o significado dessa honraria e homenagem? Quem foram e que papel desempenharam para a saúde pública estes personagens? A resposta você encontra logo abaixo.

 

Henrique Aragão

Niteroiense da “safra” de 1879, Henrique de Beaurepaire Rohan Aragão ingressou no Instituto de Manguinhos em meados de 1903, ainda estudante da então “Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro”, que atualmente faz parte a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em Manguinhos, ficou encarregado pelo diagnóstico da peste bubônica e da preparação do soro antiestreptocóccico. Em 1908, foi efetivado como pesquisador-assistente do Instituto Oswaldo Cruz. Foram alvos de destaque suas pesquisas sobre a varíola e, mais especialmente, sobre a transmissão da febre amarela e as técnicas de vacinação contra essa doença.

Chefe de serviço de Manguinhos desde 1919, Aragão assumiu a direção do Instituto Oswaldo Cruz entre 1942 e 1949. Além da pesquisa, Aragão foi professor, tendo lecionado nos cursos de Aplicação (de Manguinhos), de Malariologia (Fundação Rockefeller) e de Higiene e Saúde Publica (da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro). 

O prédio que carrega seu nome abriga o Laboratório de Febre Amarela de Bio-Manguinhos.

 

Henrique Aragão

Aragão assumiu a direção do Instituto Oswaldo Cruz entre 1942 e 1949.

 

Rocha Lima

Nascido no mesmo ano de Aragão mas do outro lado da Baia da Guanabara, na então capital do Império, Henrique da Rocha Lima Filho diplomou-se em Medicina defendendo tese sobre "Esplenomegalia nas infecções agudas".

Após a formatura, Rocha Lima seguiu para a Alemanha, onde ampliou, sob a orientação de Ficker, os estudos de microbiologia e anatomia patológica, sob a orientação de Kaiserling e Orth.

Na sua obra científica destacam-se os trabalhos sobre febre amarela e tifo exantemático. A anatomia patológica da infecção amarílica era seu tema predileto e pautou o início de sua carreira científica no Instituto de Manguinhos, iniciada também em 1903 e ao lado de nosso patrono, Oswaldo Cruz. Aqui ficou até 1909.

Suas pesquisas resultaram em profunda modificação do conceito anátomo-clínico da febre amarela. A descoberta do agente etiológico do tipo exantemático é sua obra prima, mas ele ainda encontrou tempo para estudar riquetsias, verruga peruana, blastomicoses, doença de Chagas, poradenite e febre hemoglobinúrica.

Ao sair de Manguinhos, trabalhou no Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo e em 1920 retornou ao Brasil, convidado que foi para dirigir o Instituto Butantan. Em 1927, interrompe sua carreira como pesquisador e assume a direção do Instituto Biológico, a convite de Arthur Neiva. Em 1940, se aposentou.

Rocha Lima dá nome ao edifício onde estão localizados a diretoria de Bio-Manguinhos, e alguns de seus laboratórios.

 

Rocha Lima

Na obra científica de Henrique da Rocha Lima destacam-se
os trabalhos sobre febre amarela e tifo exantemático.

 

Rockefeller

John Davison Rockefeller é o fundador da Standard Oil Company, companhia que revolucionou o setor do petróleo. Ganhou tanto dinheiro que se tornou o homem mais rico do mundo e o primeiro americano a ter mais de um bilhão de dólares. Em 1937, ano de sua morte, sua fortuna era avaliada em US$ 1,4 bilhão. Tanto dinheiro fez dele o homem a estabelecer a estrutura moderna da filantropia, retomando o antigo “mecenato”, mas não no campo das artes. 

Parte da fortuna de John foi usada na medicina, educação e pesquisas científicas - através da Fundação Rockefeller, criada em 1913. A Fundação chegou ao Brasil em 1916, e em 1923, estabeleceu um convênio com o governo brasileiro, para cooperação médico-sanitária e programas de erradicação de endemias, notadamente a febre amarela e depois a malária.

Foi com o dinheiro de Rockefeller que, na década de 1940, montou-se laboratório para fabricar a vacina febre amarela, no campus da Fiocruz, edificação que hoje leva seu nome e faz parte das instalações de Bio-Manguinhos. Aliás, o controle – tanto do laboratório quanto da produção da vacina - foi passado para o então Serviço Nacional de Febre Amarela em 1950, através do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). 

Reformado recentemente, o Pavilhão Rockefeller concentra os laboratórios de Liofilização (Lalio) e de Tecnologia Bacteriana (Lateb). Os recursos de Rockefeller, quem poderia imaginar, colaboram para a saúde pública brasileira.

 

John Rockefeller

Foi com o dinheiro de Rockefeller que, na década de 1940,
montou-se laboratório para fabricar a vacina febre amarela.

 

Konosuke Fukai

Microbiologista, Konosuke Fukai trabalhou em prol da erradicação do sarampo e da poliomielite na Indonésia e foi presidente da Sociedade Japonesa de Microscopia Eletrônica. Mas – para milhões de brasileiros, felizmente - sua trajetória não se resume a "apenas" isso... 

Com o apoio e envolvimento pessoal de Konosuke Fukai, à época professor da Universidade de Osaka, o Instituto Biken e Bio-Manguinhos firmaram em 1982 acordo para a produção da vacina contra o sarampo. Dois anos depois, foi assinado o acordo para produção da vacina contra a poliomielite com o Instituto de Pesquisa de Poliomielite do Japão (JPRI). 

 

Konosuke Fukai

Konosuke Fukai trabalhou em prol da
erradicação do sarampo e da poliomielite.

 

As vacinas contra as duas doenças resultaram da transferência de tecnologia entre instituições dos dois países, e esse apoio possibilitou a Bio-Manguinhos colaborar para o Brasil erradicar a poliomielite e controlar o sarampo. 

Em 2008, Bio-Manguinhos inaugurou o Centro Tecnológico Konosuke Fukai. O conjunto de prédios, que inclui a área de produção de vacinas virais de Bio-Manguinhos, além do Laboratório de Experimentação Animal e dos departamentos de Controle e Garantia da Qualidade. 

 

Jornalista: Paulo Schueler