Como as redes de informação, games e dispositivos móveis podem contribuir para a inovação no campo da saúde? Com essa pergunta em mente, o Icict/Fiocruz realizará em 2016, pela primeira vez, o Hackathon em Saúde, um evento que reúne programadores, designers e outros profissionais em um esforço concentrado para o desenvolvimento de aplicativos e inovações tecnológicas para o SUS.

O termo hackathon resulta de uma combinação das palavras inglesas “hack” (programar de forma excepcional) e “marathon” (maratona). A maratona dura em torno de 42 horas (em alusão aos 42 km) e os participantes têm a oportunidade de concorrer a prêmios e bolsas de estudos, conhecer outros profissionais da área, fazer networking e participar de um projeto colaborativo para proposição de soluções pragmáticas relacionadas à saúde e ao bem-estar da população.

No dia 7 de abril foi realizado o Pré-Hackathon em Saúde, como atividade preparatória para a grande maratona, que está programado para o segundo semestre (ainda sem data definida). A programação incluiu a divulgação das regras do desafio, modalidades de competição, que serão aplicativos móveis e games, além dos critérios de avaliação e premiações.

Os temas propostos são a Rede Global de Bancos de Leite Humano, iniciativa de apoio ao aleitamento e distribuição de leite materno; o Circuito Saudável Fiocruz, que engloba ações de saúde para os trabalhadores da saúde; a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, que objetiva assegurar o uso apropriado desses produtos para que não haja interferência na prática do aleitamento materno; o Acesso Aberto ao Conhecimento, fundamental para o desenvolvimento científico; e o Monitoramento e controle de vetores, cuja estratégia é prioritária para a prevenção de epidemias e promoção da saúde.

 

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Fátima Rangel, coordenadora do CST/Direh, apresentou o Circuito Saudável Fiocruz

 

Iniciativas de Bio

Diversas iniciativas em Bio-Manguinhos estão alinhadas aos temas propostos no Hackathon. O Circuito Saudável Fiocruz é um projeto institucional desenvolvido pela equipe de Nutrição do Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust/Direh) em parceria com a FioSaúde. A iniciativa é voltada para a obtenção da qualidade de vida dos trabalhadores da Fundação por meio da difusão de informações sobre alimentação e nutrição no campo da saúde do trabalhador e atividades físicas. O projeto está dentro do Programa Fiocruz Saudável, que engloba 29 projetos.

Em Bio-Manguinhos não é diferente. Para oferecer saúde e qualidade de vida aos colaboradores, por meio de atividades que evitam o sedentarismo, reduzem o estresse, melhoram a ergonomia e estimulam a integração, Bio-Manguinhos criou o Programa de Qualidade de Vida em 2005. Os funcionários têm à disposição 11 atividades divididas entre terapias alternativas e atividades físicas, um programa de nutrição e um contra o tabagismo, que podem ser realizados em diferentes dias e horários. 

Fátima Rangel, coordenadora do Centro de Saúde do Trabalhador (CST/Direh), apresentou em sua palestra o principal desafio que poderia ser solucionado com um aplicativo. “Temos dificuldade em compartilhar o conteúdo do circuito baseado nas premissas Guia Alimentar para a População Brasileira, que auxiliará os usuários na verificação do estado nutricional, orientações quanto à escolha de alimentos e atitudes mais saudáveis”.

Damiana Soares, da Seção de Medicina do Trabalho (SEMTR/DEREH), organiza as atividades do Programa de Qualidade de Vida através de planilhas, controlandoa quantidade de participantes, suas presenças, inclusões ou desistências. “No entanto, caso houvesse um sistema ou aplicativo que auxiliasse esse controle, linkando com os resultados dos exames periódicos e outros serviços oferecidos pela seção, seria o melhor dos mundos”, disse a colaboradora.

 

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Marcelo Gomes (Procc/Fiocruz), mostrou dados do sistema do InfoDengue

 

Um exemplo de monitoramento e controle de vetores, apresentado por Marcelo Gomes, do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), foi o InfoDengue, que é um sistema de alerta atualizado semanalmente cujos dados estão disponíveis para a população. “O sistema cruza dados de monitoramento do Aedes aegypti, que é feito de casa em casa; as notificações da doença em todo o estado do Rio de Janeiro e também no Paraná nos postos de saúde e hospitais; e monitoramento das redes sociais, onde pessoas relatam os sintomas da doença e suas experiências”, explicou.

Em Bio, a Assessoria de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente (AESTM) possui o procedimento (DI0349) para o Controle Integrado de Sinantrópicos Urbanos (vetores). Este controle envolve todas as edificações de Bio-Manguinhos, incluindo as áreas internas e externas. Foram instaladas armadilhas para roedores, numeradas e mapeadas em pontos focais de controle, monitoramento e manutenção contínuos.

Nas áreas externas (Rocha Lima, Rockfeller, Henrique Aragão e CTV) são realizadas dedetização de bueiros, e nas áreas internas, os ralos, vestiários, copas, áreas administrativas dentre outros serviços de controle contra vetores. O serviço é realizado por uma empresa contratada, que monitora todas as caixas PEP (Ponto de Envenenamento Permanente) de forma mensal. Já o controle de insetos rasteiros, insetos alados é de forma trimestral. A contratada envia relatórios de atendimento para o controle AESTM. Desta forma, a qualidade e integridade do produto final e seus insumos são garantidos, bem como a saúde dos trabalhadores. Além disto, são atendidas as boas práticas na produção e as legislações ambientais vigentes.

“Os atendimentos nas áreas ocorrem três vezes na semana. A cada UO atendida por edificação, recebemos o controle documental da empresa informando o serviço realizado e o funcionário da área que acompanhou, além de ser entregue na UO, o termo de Garantia de assistência Técnica/Certificados (vetores). Em casos de ocorrências, o solicitante envia no Sistema Solicitação de Serviços (SOS) o atendimento para tratar a área. Após a verificação, dependendo da evidencia dos vetores, a AESTM orienta o solicitante a abrir um ENGEMAN para realizar uma ação corretiva das áreas que necessitem de uma avaliação de manutenção do local”, ressaltou Maria Ivone Bussons, analista ambiental da AESTM.

 

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Ana Maranhão (CTIC/Icict) falou da dificuldade que os pesquisadores têm não só de
divulgar seus trabalhos científicos como ter acesso ao trabalho de seus colegas.

 

A Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz visa garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela instituição. A política está alinhada com os propósitos da Fiocruz e reforça as iniciativas de apoio ao Acesso Aberto e à Integridade em Pesquisa.

Ana Maranhão, do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação em Saúde (CTIC/Icict), falou justamente da dificuldade que os pesquisadores têm não só de divulgar seus trabalhos científicos como ter acesso ao trabalho de seus colegas. “Para ficar informado, é preciso pagar por periódicos e revistas do ramo, o que dificulta muito a divulgação científica”. A Fiocruz disponibiliza a produção científica de seus colaboradores separando-os por unidade, ou “Comunidades” como são chamadas, gratuitamente no site Repositório Institucional da Fiocruz, o Arca, no qual Bio-Manguinhos participa desde 2012.

“São 93 documentos depositados por Bio em sua comunidade no Arca, incluindo artigos, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso de especialização e até vídeos”, conta Priscila do Nascimento, da Seção de Gestão de Documentos e Arquivos (Sigda). Além disso, Bio-Manguinhos faz parte do Núcleo de Acesso Aberto Conhecimento (NAAC) da Fiocruz, que junto com o Comitê da Regulação da Política de Acesso Aberto ao Conhecimento e o Comitê Gestor compõem a Estrutura de Governança. As três instâncias atuam de modo articulado e complementar.

 

Texto e imagens: Gabriella Ponte