Devido a rapidez na transmissão e compartilhamento de informações, as redes sociais se tornaram espaço de difusão de boatos em tempo quase real. Diversos deles, relacionados à zika, tem levado pânico a mães experientes e de primeira viagem. 

O consultor científico sênior de Bio-Manguinhos e pediatra, Reinaldo de Menezes Martins, alerta que não há relatos científicos que comprovem a transmissão do vírus zika pela amamentação materna. “Não houve isolamento do vírus vivo no leite materno e ele é extremamente importante para o desenvolvimento da criança e fortalecimento do sistema imunológico. Essa prática deve ser preservada”, acrescenta.

Outro mito sobre as doenças relacionadas ao zika é a de que a microcefalia seria provocada pela administração de vacinas, especialmente a tríplice viral (TVV), que previne as crianças de até um ano do sarampo, caxumba e rubéola. “ A aplicação das vacinas contendo o componente rubéola, ou de quaisquer outras, em mulheres grávidas, não acarretou consequências nocivas para o feto.  À mesma conclusão chegaram a Organização Pan-Americana da Saúde, analisando os dados da América Latina, e a Organização Mundial de Saúde, analisando os dados de todo o mundo”, afirma. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que todas as vacinas ofertadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) são seguras e nenhuma das vacinas administradas na gestação contém vírus ou outros agentes vivos.

 

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Confira dicas de cuidados contra a zika

 

Como os cuidados com as mães ainda representam a principal forma de prevenção das doenças que o zika pode causar, o combate ao vetor deve ser uma luta constante para evitar o contágio, tanto em casa quanto no trabalho. “Colocar telas nas janelas, usar mosquiteiros e evitar acúmulo de água parada devem ser um compromisso diário”, detalhou.

O pediatra reforça que os cuidados devem ir até o fim da gestação. “Apesar de o risco de lesões fetais ser maior no primeiro trimestre da gravidez (que é quando o sistema neurológico se forma), a atenção deve ser mantida até o nascimento da criança. E caso a microcefalia seja diagnosticada ainda quando o bebê está na barriga, deve haver um acompanhamento detalhado”, conclui.

Cuidando das colaboradoras

O Programa de Gestantes de Bio-Manguinhos passou recentemente a incluir  um conjunto de orientações para as grávidas sobre as doenças relacionadas ao vírus zika. A enfermeira do trabalho da Seção de Medicina do Trabalho (SEMTR/Dereh), Bruna Pimenta, conta que o primeiro contato da gestante com o programa é com a médica do trabalho, que dá instruções gerais. Nas palestras que ministra, Bruna Pimenta esclarece dúvidas pontuais. “Se a grávida estiver com sintomas sugestivos de zika, examinamos e encaminhamos para o Centro de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Se for um colaborador comum, direcionamos para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) ”, explica.

Além disso, nas palestras ministradas, são oferecidas dicas de amamentação, alimentação e vacinação. O Instituto também possibilita que as gestantes façam acompanhamento nutricional.

  

Jornalista: Isabela Pimentel

Imagem: Assessoria de Comunicação (Ascom/Bio-Manguinhos)