nota-oficialA partir de 2013, Bio-Manguinhos tomou a iniciativa de buscar fortalecer a relação institucional com a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) por identificar semelhança de valores e princípios. Desde então, temos mantido contato permanente para a troca de experiências e informações, visando o estabelecimento de uma aliança com respeito mútuo e estreitamento de laços que permitam o fortalecimento da defesa da vida e a promoção da saúde no âmbito nacional e global. 

Recebemos o início da campanha de coleta de assinaturas estabelecida sobre a petição pública lançada pelo MSF. Ela dá publicidade a uma solicitação que havia sido feita em uma de nossas reuniões em Bio-Manguinhos e que na mesma oportunidade teve, de nossa parte, uma resposta de acolhimento ao pedido.


Nesta oportunidade esclarecemos que estamos alinhados as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas que existem desafios de natureza tecnológica próprios aos produtos de natureza biológica, como é o caso das vacinas. Estes produtos por serem de origem biológica, possuem características que quando expostas à temperaturas elevadas podem se degradar, o que pode gerar prejuízos as respostas imunológicas necessárias a proteção da saúde. Por isso, todo cuidado se faz necessário no que se refere a termoestabilidade das vacinas.


O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) é um laboratório público da Fundação Oswaldo Cruz responsável pelo desenvolvimento tecnológico e pela produção de vacinas, reativos e biofármacos voltados para atender prioritariamente ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em cooperação internacional exporta o excedente de sua produção de Febre Amarela para mais de 70 países, através da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).


O Programa Nacional de Imunizações (PNI) brasileiro, referencia global para a vacinação, apresenta resultados positivos de alcance e imunização da população brasileira, seja nas grandes cidades, seja nos locais de mais difícil acesso dos mais de 8 milhões de km2 do território nacional.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) construiu seu plano estratégico para controle de sarampo e rubéola para o período de 2012-2020 no mundo. Bio-Manguinhos está desenvolvendo uma vacina contra sarampo e rubéola, que recebe apoio financeiro da Fundação Bill e Melinda Gates. Este projeto é parte de um conjunto de ações globais voltadas para o alcance das metas do plano da OMS.


O Programa de Estabilidade de Bio-Manguinhos também foi alinhado ao projeto ‘Programa Cadeia de Temperatura Controlada’ (Controlled Temperature Chain – CTC) da OMS e visando dar respostas às expectativas globais em relação a esta vacina  A única vacina atualmente autorizada pela OMS por meio do CTC a “estar fora da cadeia de frio” trata-se da Vacina Meningocócica A que tem características biológicas que possibilitam que ela esteja estável, apenas, por um período limite de 4dias até 40ºC. As caraterísticas desta vacina são completamente diferentes das da Vacina Sarampo- Rubéola.


Além dos desafios tecnológicos temos desafios relativos a aperfeiçoamentos nos indicadores de temperatura da embalagem das vacinas, de modo geral.


Então, semelhantemente ao que foi realizado com a vacina pré-qualificada de Bio-Manguinhos para Febre Amarela, há previsão de estudos de estabilidade para a Vacina Sarampo e Rubéola. Neste momento esta vacinas encontra-se em fase de estudo cínico para fins de registro e posterior pré-qualificação pela OMS.


Bio-Manguinhos tem compromisso em ouvir as demandas da sociedade e buscar melhorias, num processo contínuo de inovação. E conforme a OMS vem nos encorajando, no processo de desenvolvimento da vacina em questão objeto da petição do MSF seguiremos fazendo todos os estudos de estabilidade necessários para que possamos ter uma vacina de sarampo e rubéola disponível aos países africanos.


Bio-Manguinhos/Fiocruz