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O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos / Fiocruz) produzirá a Betainterferona 1a subcutânea, biofármaco indicado para o tratamento da esclerose múltipla, nas apresentações 22 mcg e 44 mcg.  A novidade foi possível devido a acordo de transferência de tecnologia assinado em 9 de setembro com o laboratório alemão Merck, que também envolve a produtora nacional Bionovis, em uma das 14 Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), estabelecidas pelo Governo Federal, da qual Bio participa.

Dessas 14 PDPs, 12 se destinam à incorporação de biofármacos– as duas restantes se destinam a vacinas. E três das 12 PDPs já estão em processo de transferência: o da Alfataliglicerase com a israelense Protalix, o do Infliximabe com a norte-americana Janssen e, agora, o da Betainterferona 1a.

Completam o portfólio de cinco biofármacos do Instituto a Alfaepoetina e a Alfainterferona 2b. “Essa PDP representa mais uma conquista fruto do esforço de Bio-Manguinhos em fortalecer o Programa de Medicamentos Excepcionais do Ministério da Saúde, através de uma parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos”, afirmou o diretor de Bio, Artur Couto.

Apenas nos últimos cinco anos, Bio forneceu 50 milhões de frascos de biofármacos para uso no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de novembro, mês previsto para a primeira entrega da PDP assinada com a Merck e a Bionovis, esse número passará a ser enriquecido com a participação da Betainterferona 1a.

Além de garantir o acesso do medicamento à população, a assinatura do acordo traz economia de R$ 27 milhões em sete anos ao Tesouro Nacional e faz movimentar a cadeia produtiva brasileira. “O impacto na economia brasileira é decorrente do uso de insumos que usaremos e serão produzidos no Brasil, além da geração de empregos”, ressalta Artur.

Além dos ganhos imediatos, a incorporação da tecnologia coloca o laboratório público um degrau acima na corrida tecnológica. “A incorporação não é apenas de um produto mas da plataforma tecnológica na qual ele é desenvolvido. Ganhamos expertise e a possibilidade de desenvolvimento de outros produtos nessa plataforma, agregando valor para Bio-Manguinhos e, por consequência, para a própria saúde pública no Brasil”, complementa o diretor.

Por sua alta tecnologia, aliás, os biofármacos são uma fonte de receita crescente para a manutenção das atividades de Bio-Manguinhos. A linha de produtos, que em 2016 completará 12 anos, representará 62% do que o Instituto arrecadará com o portfólio de vacinas, que completará quatro décadas.

A Betainterferona 1a e a esclerose múltipla

O novo biofármaco é indicado já é comercializado em mais de 80 países em todo o mundo pela Merck. No Brasil, cerca de 27% dos 13 mil pacientes em tratamento de esclerose múltipla no SUS usam a Betainterferona 1a. As estimativas são de que existam cerca de 35 mil pessoas impactadas pela esclerose múltipla no Brasil, com o complicador de que a doença, por suas características, é subnotificada. Doença degenerativa e sem cura, ela afeta gravemente a qualidade de vida dos pacientes.

No mundo, de acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde, existem aproximadamente 2 milhões de pessoas que sofrem a enfermidade, notadamente indivíduos entre 20 e 40 anos de idade - 75% mulheres. Mesmo não sendo letal, a esclerose múltipla pode evoluir em gravidade para situações que causem paralisia de membros ou perda da visão. Seus sintomas mais comuns são fraqueza dos membros e dificuldade para caminhar, a perda da visão em um ou nos dois olhos, visão dupla, as parestesias (dormências e formigamentos), desequilíbrio e falta de coordenação motora, tonturas e zumbidos, tremores, dores, fadiga e alterações no controle da urina e fezes.

Os interferons são proteínas produzidas pelo corpo humano. Seu tipo beta tem eficácia comprovada no tratamento da esclerose múltipla, mesmo sem curá-la. O biofármaco modula o sistema de defesa imunológico do organismo ao reduzir a agressão de linfócitos e anticorpos contra a bainha de mielina das fibras nervosas. Dessa forma, reduz as inflamações e lesões do cérebro e medula espinhal e traz considerável melhoria na qualidade de vida dos pacientes.



Jornalista: Paulo Schueler 

Imagens: Isabela Pimentel

 

 

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