Desde fevereiro deste ano, o Instituto Evandro Chagas (IEC) e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos/Fiocruz promovem em Belém um estudo para avaliar a vacina tríplice viral seguida de vacina tetra viral produzidas nos laboratórios da Bio-Manguinhos/Fiocruz no Rio de Janeiro. A meta do estudo é analisar os efeitos das vacinas em 1.560 crianças, que devem ser incluídas no projeto até o próximo dia 26 de agosto. A equipe do estudo comemora que, até o início desta semana, 1.284 crianças foram incluídas no projeto. “Nossa avaliação é positiva em todos os pontos de vista. Primeiro pela inclusão de crianças. Apesar de nós não estarmos com folga, estamos cumprindo a meta. Há pouco mais de um mês do encerramento da captação de crianças, estamos com 82,3% da meta alcançada“ afirma o investigador principal do estudo, Dr. Francisco Luzio de Paula Ramos, chefe do Serviço de Epidemiologia do IEC.

“A expectativa era essa mesmo. Agora, nós estamos com as equipes empenhadas, fazendo busca ativa para os retornos, fazendo captação em unidades de saúde do entorno das unidades do estudo e nós acreditamos que vamos atingir a meta até a data prevista” declara a líder científica da equipe, Dra. Eliane dos Santos, pesquisadora de Biomanguinhos. De acordo com a pesquisadora, o ritmo inicial de inclusão das crianças no estudo foi mais lento: “Essa dificuldade inicial é prevista, até as equipes das unidades de saúde do estudo engrenarem. A divulgação do estudo também ajuda muito. A divulgação nas redes sociais, imprensa, televisão, rádio, jornal, o Dr. Luzio já concedeu várias entrevistas. Isso tudo ajuda a esclarecer para a população do que se trata o estudo. Tira duvidas em relação ao objetivo: porque essa vacina, o que esperar dela, quais as reações que ela pode dar. E com isso a população foi acreditando, a credibilidade aumentou e nós conseguimos aumentar a velocidade de inclusão.” Explica a pesquisadora.

 

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A líder científica da equipe, Dra. Eliane, em recente entrevista ao Canal Futura. 

 

O Estudo

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e a tetra, contra as três doenças e mais a varicela (catapora). Essas vacinas já fazem parte do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS) e já são produzidas no Brasil com um concentrado viral importado da Bélgica. A vacina tríplice viral que é testada agora na capital paraense tem o diferencial de contar com o concentrado viral produzido pela Bio-Manguinhos/Fiocruz com a transferência de tecnologia da GlaxoSmithKline (GSK). O estudo da imunogenicidade visa medir a capacidade que ela possui de induzir a uma resposta imunológica detectável nos indivíduos, ou seja, a capacidade de indução à produção de anticorpos contra as doenças que ela pretende prevenir. Já a reatogenicidade estuda o conjunto das reações à vacina. O objetivo do estudo é confirmar se a vacina totalmente brasileira confere proteção como a vacina com o concentrado viral vindo da GSK e se apresenta a mesma frequência de reações adversas. A Dra. Eliane destaca ainda que, além da inclusão de crianças, outros aspectos do estudo estão correndo dentro do esperado: “Nós tivemos poucos eventos adversos graves e até agora nenhum deles associados à vacina. Foram casos de doenças comuns da infância como internação por diarreia, por vômito, dengue, pneumonia, bronquiolite, de acordo também com a estação do ano, as doenças mais prevalentes.”

Após o dia 26 de agosto, fim do prazo para inclusão das crianças no estudo, a equipe ainda vai realizar as consultas de retorno das últimas crianças incluídas no estudo para coleta de sangue e para receberem a vacina tetra viral, além disso, o acompanhamento dos eventos adversos em todas as crianças vai continuar: “Nós ainda temos um compromisso com os responsáveis pelas crianças de dar um retorno sobre como ficou a resposta imunológica delas à vacina. Quando terminarem as análises sorológicas, nós vamos entregar os laudos para os responsáveis para eles saberem: meu filho está protegido ou não está protegido? Em caso negativo, será oferecida mais uma dose da vacina tríplice viral ou tetraviral.” explica a Dra. Eliane. 

Para o investigador principal do estudo, a avaliação positiva também vai além da inclusão das crianças: “Com relação às instituições parceiras, ninguém cumpriria essa meta se a nossa relação com eles não fosse boa. Além disso, nós percebemos que o estudo vai deixar um grande legado para a equipe, você preparou funcionários, pessoas, técnicos pra esse tipo de atividade, que poderão atuar em outros estudos.” Finaliza o Dr. Lúzio.

 

Fonte: Instituto Evandro Chagas

 

 

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