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A oferta de vacinas, biofármacos e reativos para diagnóstico ao Sistema Único de Saúde (SUS) por parte de Bio-Manguinhos materializa a racionalidade do uso dos recursos financeiros do Estado brasileiro na busca pela garantia e ampliação da oferta de produtos de alto valor agregado.

No caso das vacinas, estudo publicado na “Health Affairs” por pesquisadores na John Hopkins University (EUA) examinou a economia obtida com programas de vacinação para os sistemas de saúde, na comparação com os custos de medicalização caso as vacinas não fossem aplicadas - custos de tratamento, custos de transporte, pagamentos a cuidadores e perdas em produtividade – e também calculou os benefícios mais amplos da vacinação.

Com o recorte de taxas de vacinação projetadas de 2011 a 2020, para a imunização contra 10 infecções evitáveis por vacina: Haemophilus influenzae tipo b, hepatite B, papilomavírus humano, encefalite japonesa, sarampo, Neisseria meningitis sorogrupo A, rotavírus, rubéola, Streptococcus penumoniae e febre amarela, chegou-se ao resultado da economia de US$ 586 bilhões em custos de doença associados em um total de 94 países, com retorno de US$ 16 para cada US$ 1 investido em vacinas.

Segundo o autor do estudo, Sachiko Ozawa, “nossos achados devem encorajar doadores e governos a continuarem seus investimentos financeiros em programas de imunização. Mas devemos manter em mente que essas são estimativas que assumem que a cobertura da imunização continua a se expandir e melhorar”.

Outros levantamentos trazem recortes mais específicos, com resultados semelhantes: economia de recursos a partir do uso de vacinas. Em Sarampo: custo da hospitalização e vacinação na região de Londrina – Paraná, apontou que o dinheiro usado na hospitalização de um único caso de sarampo, por um período de apenas seis dias, poderia ser usado na imunização de 3.144 crianças na rede pública e 94 crianças na rede particular. Já o trabalho Avaliação Econômica da Rubéola e de Estratégia de Controle em Situação de Surto em Fortaleza (Ceará) apontou que “entre 1999 e 2000, os custos diretos totais envolvendo uma coorte de 31 crianças brasileiras com Síndrome da Rubéola Congênita acompanhadas no primeiro ano de vida foram estimados em mais de 61 mil dólares, ou aproximadamente dois mil dólares por criança”. Segundo o trabalho, em 2003 o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicava o preço de um frasco-ampola de 10 doses da vacina tríplice viral em US$ 12,40.

Economia não apenas em vacinas

A economia gerada pelo fornecimento de produtos por parte de Bio-Manguinhos não se restringe ao caso específico das vacinas. A partir das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), o mesmo se verifica no caso dos biofármacos.

Em 2017, o Ministério da Saúde ressaltou que os medicamentos biológicos representam 4% da quantidade de fármacos distribuídos pelo SUS e 51% do orçamento da compra, que entre 2010 e 2017 a economia para os cofres públicos através das PDPs havia somado R$ 5,2 bilhões e que para alguns medicamentos biológicos a economia alcançava até 70%.

De acordo com o Ministério, “as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) visam ampliar o acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do fortalecimento do complexo industrial do País. O objetivo principal é fomentar o desenvolvimento nacional para reduzir os custos de aquisição dos medicamentos e produtos para saúde que atualmente são importados ou que representam um alto custo para o SUS. As parcerias são realizadas entre duas ou mais instituições públicas ou entre instituições públicas e empresas privadas, buscando promover a produção pública nacional. Também está incluído no escopo das PDP o desenvolvimento de novas tecnologias”.