A vigilância, o diagnóstico e a resposta em saúde pública para doenças virais emergentes foram debatidos durante o “Encontro do Conhecimento” realizado em 14/10, pelo Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Vigilância Pós-Registro (Deame) de Bio-Manguinhos/Fiocruz. Febre oropouche e mpox foram o foco das discussões.
O chefe do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do IOC/Fiocruz, Felipe Naveca, lembrou que os surtos de oropouche são explosivos e que a expansão do vírus coincide com períodos de El Niño, o que é preocupante atualmente por estarmos com uma ocorrência muito forte do fenômeno climático. “As lacunas de vigilância ampliam os surtos, deveríamos colocar este arbovírus como prioritário nas Américas”, afirmou Naveca.
O aspecto clínico da febre oropouche foi abordado pela infectologista do INI/Fiocruz, Otília Lupi. A médica ressaltou os desafios para a saúde pública no controle do vírus e contou a experiência do trabalho em campo em locais de mata, especialmente com alguns tipos de plantações, como de banana, onde o vetor da doença se reproduz.
Já o infectologista do LapClin HIV/AIDS e outras ISTs do INI/Fiocruz, Felipe Sabec, apresentou o panorama da mpox. “Existe muito estigma em cima desta IST emergente, precisamos acolher os pacientes”. O especialista salientou que não há tratamento específico para mpox, houve estudos com medicamentos para varíola que acabaram não se mostrando eficazes.
Sabec destacou, ainda, que há transmissão sustentada neste ano, embora com menos casos que em 2022, quando houve pico da doença nas Américas. O médico acredita que existe oportunidade para pensar para além de diagnóstico e tratamento: “Precisamos refletir sobre sexualidade e modelo de cuidado, além de produzir evidências em populações historicamente sub-representadas”.
O papel de Bio-Manguinhos
O trabalho de Bio-Manguinhos/Fiocruz com as doenças virais emergentes foi o destaque de um segundo bloco do evento. A gerente de projeto Plataforma Molecular de Vigilância Epidemiológica em Bio-Manguinhos/Fiocruz, Marisa de Oliveira, mostrou como foi o desenvolvimento dos kits de diagnóstico para mpox e oropouche na instituição. Os testes são essenciais para o trabalho de vigilância do Ministério da Saúde.
Outra iniciativa de Bio-Manguinhos/Fiocruz que tem impacto direto no controle destas doenças é a Plataforma de RNA mensageiro (RNAm), que foi apresentada pela líder do projeto de RNAm da instituição, Patrícia Neves. Atualmente há uma proposta em curso para uma vacina contra oropouche.
O imunizante, que seria desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, está em fase de testes em modelo animal. Para mpox foram identificadas duas possíveis vacinas candidatas, mas ainda não foram iniciados testes, a equipe de RNAm de Bio-Manguinhos/Fiocruz procura um parceiro para os testes.
Texto e imagens: Ascom Bio-Manguinhos

