vacinacao indigena em foco site peqBio-Manguinhos/Fiocruz participou da Mostra de Experiências em Monitoramento e Avaliação (M&A) em Saúde junto aos Povos Indígenas (MOSTRA M&A-SI). O evento, que foi realizado entre os dias 6 e 8 de outubro, foi promovido pelo Laboratório de Avaliação de Situações Endêmicas Regionais (LASER/ENSP/Fiocruz) e pelo Laboratório de Doenças Parasitárias (LABDEP/IOC/Fiocruz), contando com o apoio da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI/MS). A iniciativa teve como objetivo identificar, valorizar e disseminar práticas que contribuam para o fortalecimento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), dando visibilidade a experiências implementadas entre os anos de 2024 e 2026.

Durante a mostra, o Instituto apresentou o trabalho “Da Reconquista das Altas Coberturas Vacinais ao Fortalecimento da Vacinação na Área Indígena”, integrado à sessão sobre planejamento, governança e gestão do EMSI. A iniciativa é fruto do Projeto de Implantação do Fluxo para Modelagem da Rede de Frio (PMRF), estruturado a partir da Portaria 5.801/2024 — que criou o Programa de Ações Afirmativas do Ministério da Saúde para povos indígenas e quilombolas — e desdobra-se do Projeto pela Reconquista das Altas Coberturas Vacinais (PRCV). Entre 2021 e 2023, o PRCV foi coordenado por Maria de Lourdes de Sousa Maia, chefe do Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Vigilância Pós-Registro (DEAME) de Bio-Manguinhos/Fiocruz, e por Akira Homma, assessor científico sênior da instituição, lideranças que também estão à frente do PMRF.

A elaboração e a coordenação do trabalho foram lideradas por Maria de Lourdes de Sousa Maia, com submissão feita por Gabriela Sadigurschi, médica integrante do DEAME, e apoio de Jeferson de Lima Nunes, gerente do projeto. Já a apresentação no evento foi realizada por Clebson Veríssimo, tutor dos cursos e capacitações do PMRF/PRCV. Ao integrar o evento, o Instituto se uniu a profissionais, gestores, lideranças indígenas e pesquisadores de todo o país em um importante espaço de compartilhamento de aprendizados, contribuindo ativamente para a qualificação das ações e da qualidade da atenção à saúde ofertada a essa população.

De acordo com Maria de Lourdes, a aprovação e participação na mostra reforçaram a importância da experiência desenvolvida e a extrema relevância das ações para o fortalecimento da vacinação e dos processos de saúde voltados à população indígena. "Garantir altas coberturas vacinais em territórios indígenas é um desafio diário que esbarra em barreiras geográficas, dificuldades logísticas e na necessidade constante de respeitar as especificidades socioculturais de cada povo. Não se trata apenas de levar o imunizante, mas de construir uma relação de diálogo e confiança, além de assegurar que as equipes de saúde tenham a estrutura adequada para alcançar as aldeias mais remotas. Por isso, a troca de experiências proporcionada por esta mostra é tão valiosa para desenvolvermos estratégias cada vez mais eficazes”, destacou a gestora.

O trabalho aprovado reúne um conjunto de iniciativas estruturantes que transformaram a realidade local, superando o modelo de armazenamento exclusivo nos municípios. De forma inovadora, o projeto aproximou a Rede de Frio das comunidades, entregando equipamentos essenciais como câmaras frias, freezers e computadores diretamente nos territórios. Para garantir a sustentabilidade dessa infraestrutura, foi criado o "Curso de Monitor em Imunização com Ênfase no Contexto Indígena", que formou multiplicadores locais alcançando profissionais atuantes em 184 aldeias no Amapá e Norte do Pará, além de 56 aldeias na região Potiguara, na Paraíba, e no Rio Grande do Norte.

Todo o processo foi pautado pela escuta ativa e por diagnósticos situacionais. O protagonismo indígena foi garantido não apenas na identificação das necessidades de cada região, mas também na execução e na criação de estratégias de comunicação culturalmente adequadas, engajando jovens das comunidades. Essa articulação, que envolveu Bio-Manguinhos, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), gerou uma metodologia de forte impacto e com grande potencial de ser replicada e adaptada a outras realidades do país.

A seleção do trabalho para a MOSTRA M&A-SI representou um importante reconhecimento da experiência desenvolvida, especialmente por seu caráter inovador, pelo potencial de replicabilidade e pela valorização da participação social e do protagonismo indígena. A iniciativa evidencia o compromisso de Bio-Manguinhos/Fiocruz com o fortalecimento das políticas públicas de imunização, a promoção da equidade em saúde e a construção de soluções sustentáveis e culturalmente adequadas para os povos indígenas.

Texto e Imagem: Ascom/Bio-Manguinhos

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