O Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Vigilância Pós-Registro (Deame) de Bio-Manguinhos/Fiocruz realizou mais uma edição do “Encontro do Conhecimento”, em 23/9. Desta vez os especialistas convidados falaram sobre o ebola, principalmente sobre o que já é o segundo maior surto global da doença, o deste ano na República Democrática do Congo (RDC).
Participaram do evento a médica do Deame, Gabriela Sadigurschi, o chefe do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do IOC/Fiocruz, Felipe Naveca, a infectologista do INI/Fiocruz, Otília Helena Santos, e a infectologista do Deame, Samara Campos. Os especialistas debateram a epidemiologia, vigilância, assistência e a possibilidade de vacinas contra o ebola.
Causado pela variante do vírus Bundibugyo, o surto atual, que já atingiu sete províncias na RDC, tem alta letalidade, foram mais de 3500 mortes. A cepa Bundibugyo não é tão comum, segundo Gabriela Sadigurschi, que fez um resgate dos principais dados epidemiológicos do ebola. “São muitas variáveis para o controle da doença, neste caso atual, é uma região com conflitos, há questões culturais, até mesmo de manipulação de corpos para ritos funerários”, explicou a médica.
Neste surto atual dois casos suspeitos foram investigados no país, com resultados negativos. O microbiologista Felipe Naveca mostrou as principais características do vírus, as diferentes variantes, e destacou que é o ebola é conhecido há muitos anos, com o primeiro caso da doença tendo acontecido há 50 anos.
No Brasil, o INI/Fiocruz é o hospital de referência para casos de ebola. O Instituto criou protocolos para a doença em 2014, que foram reativados agora. Para a infectologista Otília Helena Santos, mesmo com conhecimento da virologia desde a década de 70, ainda existe falta de informação. “Talvez a persistência dos surtos que vemos ao longo dos últimos anos seja justamente por conta dessas grandes lacunas epidemiológicas e clínicas”, afirmou.
Por fim, foram discutidas as possibilidades de vacinas. Está em teste o uso de uma vacina que não é específica para a variante Bundibugyo. Além disso, com o apoio da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI, na sigla em inglês) foi desenvolvido um imunizante pela Universidade de Oxford. A vacina está em fase 1 dos testes clínicos.
“São quatro décadas de pesquisa laboratorial, mas ainda hoje há dificuldades para se chegar a vacinas contra o ebola, a doença acomete uma região negligenciada e sabemos que não é um vírus com potencial pandêmico. Porém devemos alertar que existe o caráter destrutivo da doença é muito grande e, atualmente, é muito fácil chegar a qualquer lugar do globo”, finalizou Samara Campos.
Imagens: André Rocha

