O encerramento do curso "Desenvolvimento e Produção de Kits Diagnósticos: da Pesquisa à Aplicação na América Latina" reuniu cerca de 40 participantes de 18 países latino-americanos em Bio-Manguinhos, para uma programação presencial, nos dias 26 e 27/5. O programa, que teve início em 2 de março, buscou aproximar profissionais latino-americanos para fortalecer a cooperação Sul-Sul em prol da saúde pública e na preparação para crises sanitárias.
A iniciativa foi organizada pela Fiocruz, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) e a Fundação Estatal Saúde, Infância e Bem-Estar Social (CSAI), do Ministério da Saúde da Espanha. “É tradição na Fiocruz compartilhar conhecimento, a capacidade de formação de profissionais da Fundação vai além do nosso território”, explicou a Vice-Presidente de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz, durante uma cerimônia que abriu os trabalhos.
A Vice-Presidente de Saúde Global e Relações Internacionais, Lourdes Oliveira, destacou a importância geopolítica da iniciativa: “No mundo atual enfrentamos problemas complexos que ultrapassam as fronteiras, é fundamental ampliar a capacidade de produção e inovação local”. A formação foi pensada de maneira a possibilitar outras temáticas no futuro, como lembrou a Vice-Presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz. “Temos um modelo inovador de internacionalização na educação na Fiocruz, procuramos criar processos formativos que respondam às necessidades de saúde global e este curso é um exemplo disso”.
Ao abordar a importância da cooperação internacional, o cônsul-geral da Espanha no Rio de Janeiro, Fernando Fernández-Arias Minuesa, afirmou que iniciativas como o curso contribuem para ampliar a preparação dos países diante de futuras crises sanitárias. Já para a diretora da CSAI, Irene Bernal, o ponto de destaque do projeto foi “o fortalecimento da produção local e, desta maneira, da América Latina”.
Dois dias de troca de experiências, aprendizado e alianças estratégicas para o continente
O programa teve a coordenação técnica da pesquisadora do IOC, Marilda Siqueira, e do vice-diretor de Reativos para Diagnóstico de Bio-Manguinhos, Antonio Gomes Ferreira, que destacou que a produção de produtos de saúde deve ser uma prioridade para os países envolvidos na iniciativa. “Estamos totalmente abertos para estabelecer cooperações em prol da saúde pública no Brasil e na América Latina”, afirmou Ferreira.
No primeiro dia foram realizadas visitas técnicas às unidades de produção de Bio-Manguinhos, à Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Fiocruz (Unadig) e ao Laboratório de vírus respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Os alunos também puderam conhecer o Castelo Mourisco, símbolo da Fiocruz, além de participar de palestras. “Fico grata pelo aprendizado, queremos implementar algumas tecnologias que conhecemos no curso na Colômbia. Acho importante esse fortalecimento da aliança latino-americana”, disse Alexandra Garcia, do Instituto Nacional de Saúde da Colômbia, uma das participantes da formação.
No último dia do evento, os alunos integraram uma dinâmica de trabalho em grupo voltada para promover o intercâmbio de experiências e identificar oportunidades de fortalecimento das capacidades regionais na pesquisa, desenvolvimento e produção de kits diagnósticos com impacto na saúde pública. Com base nos conteúdos teóricos apresentados ao longo do curso, os participantes foram divididos em grupos para debater três eixos centrais.
O primeiro era denominado “Fortalezas e Medidas Estratégicas”, voltado para o mapeamento das capacidades instaladas e experiências de sucesso na América Latina e Caribe. O debate abordou a infraestrutura local, o talento humano especializado, marcos regulatórios de qualidade e a necessária articulação entre saúde, ciência, indústria e academia. O segundo eixo abordava os “Desafios e Barreiras Críticas”, dedicado a analisar os principais gargalos para a inovação e o escalonamento produtivo na região, com ênfase na dependência de insumos importados, sustentabilidade econômica, transferência de tecnologia e acesso a financiamento.
O terceiro foi referente à “Cooperação Regional e Alianças Internacionais”, focado na construção de mecanismos práticos de colaboração, como a criação de redes regionais de investigação, compras conjuntas, plataformas compartilhadas de validação e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul e triangular. Ao final das discussões, cada equipe apresentou suas conclusões e recomendações em uma sessão plenária, consolidando propostas integradas para responder às demandas sanitárias do continente.
Se depender dos alunos, o curso foi apenas o início de muito trabalho, como afirmou Marcelo Rodriguez, da Argentina, um dos mais participativos durante as aulas, de acordo com os organizadores do curso. “Foi uma honra poder participar. A integração na área de diagnósticos, e de uma forma geral para nós, profissionais, é fundamental para o ampliar o acesso à saúde em nossos países”, disse Rodriguez.
Texto: Daniela Rangel / Gabriella Ponte
Imagens: André Rocha

