Tire suas dúvidas sobre sarampo

measles virusDevido ao surto de sarampo que está acontecendo em vários estados do país, principalmente no Amazonas e Roraima, a recomendação do Ministério da Saúde é atualizar a carteira de vacinação para prevenir a doença. Essa orientação serve não só para as crianças, como também adolescentes e adultos, evitando a circulação do vírus no país. O Ministério da Saúde promoverá a Campanha Nacional de Vacinação contra o sarampo e a poliomielite de 6 a 31 de agosto em todo o país. Durante esse período, os postos de saúde da rede pública oferecerão as doses gratuitamente.

O objetivo da campanha contra o sarampo e a poliomielite é captar crianças ainda não vacinadas ou que não obtiveram resposta imunológica satisfatória à vacinação, minimizando o risco de adoecimento dessas crianças e, consequentemente, reduzindo ou eliminando os bolsões de não vacinados. O ‘Dia D’ será realizado em 18 de agosto, quando acontece a grande festa Fiocruz para Você nas unidades espalhadas pelo Brasil. No Rio de Janeiro, a festa da imunização acontece no campus Manguinhos, das 8h às 17h.

 

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A maioria dos casos da doença afetam as crianças. Imagem: CDC

 

Orientações

As Américas tinham recebido uma declaração do Comitê Internacional de Especialistas como livre da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015, e do sarampo, em 2016. Porém, nos últimos anos, a cobertura vacinal vem diminuindo, voltando, assim, a apresentar novos casos nos últimos meses. Em 2017, a cobertura alcançou somente 83% do público-alvo (primeira dose) e 71% (segunda dose), sendo que a meta era de 95%.

Dos três vírus combatidos nessa vacina, o sarampo é considerado o mais perigoso. "Por ser de alto contágio, é preciso que pelo menos 95% das pessoas tenham sido vacinadas no Brasil para que o sarampo não se espalhe. Caso contrário, basta ter uma única pessoa não vacinada em uma cidade para que o vírus trazido por um infectado consiga (chegar a ela)", afirma Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS).

A primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba rubéola) deve ser ministrada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, uma dose da vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), que corresponde à segunda dose da vacina tríplice e uma dose da varicela. Caso haja atraso na vacinação, crianças até quatro anos de idade ainda poderão receber a vacina com o componente varicela. A partir de cinco até os 29 anos de idade, deverão ser administradas duas doses com a vacina tríplice viral. Pessoas de 30 a 49 anos de idade devem receber uma dose. 

 

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Carla Domingues afirma que o objetivo do Ministério da Saúde é 
aumentar a cobertura vacinal, diminuindo a circulação do vírus 
no Brasil. Imagem: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Os casos suspeitos de sarampo, gestantes, crianças menores de 6 meses de idade e imunocomprometidos não devem receber a vacina. A gestante deve esperar para ser vacinada após o parto. Quem está planejando engravidar, deve primeiramente colocar a vacinação em dia e aguardar pelo menos um mês após a última dose. As pessoas devem estar com a caderneta de vacinação completa de acordo com o recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações. No entanto, quem já teve a doença está imune.

Entre uma dose e outra, é preciso fazer um intervalo de pelo menos um mês em qualquer faixa etária. Não pode tomar no mesmo dia a tríplice viral e a vacina de febre amarela. Entre uma dose e outra, é preciso fazer um intervalo de pelo menos um mês também. Ao administrar a vacina tríplice viral, é preciso ter precaução para pessoas com alergia a ovo e proteína do leite, componentes do imunizante. Nestes casos, o médico deve ser consultado.

 

Produção e entregas das vacinas

Em outubro de 2003, Bio-Manguinhos e a empresa GSK assinaram um acordo de transferência de tecnologia da vacina tríplice viral, até então o único imunobiológico presente no calendário básico de vacinação ainda importado pelo Ministério da Saúde.

No final de 2017, foi concluído o processo de transferência de tecnologia. Agora, a vacina é totalmente produzida no Brasil, demonstrando o papel crucial do Instituto em relação à autossuficiência nacional neste setor.

O Ministério da Saúde programou para o ano de 2018 a entrega de aproximadamente 40 milhões de doses. De janeiro até dia 10 de julho, foram entregues 15,5 milhões de doses, e, ainda falta entregar até o final do mês, mais 5 milhões.

 

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Bio-Manguinhos entregará em 2018 aproximadamente 40 milhões
de doses. Imagem: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Casos no Brasil e no mundo

Entre 1º de janeiro e 23 de maio deste ano, foram registrados 995 casos de sarampo no país (sendo 611 no Amazonas e 384 em Roraima), incluindo duas mortes, segundo a OMS.

A terceira foi confirmada nesta quinta-feira: um bebê de sete meses morreu em Manaus em 28 de junho depois de apresentar febre, manchas na pele, tosse e coriza. A Secretaria de Saúde local investiga agora se a morte de uma bebê de nove meses também foi por sarampo. Há casos confirmados em Rondônia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Desde abril de 2018, a OMS emite alerta sobre a volta do sarampo em onze países das Américas: Brasil, Argentina, Equador, Canadá, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru, Antígua e Barbuda, Colômbia e Venezuela.

E não é só nas Américas – em 2017, a Europa registrou mais de 21 mil casos de sarampo, com 35 mortes, um aumento de quase 400% nos casos em relação ao ano anterior.

 

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A vacinação em Roraima foi intensificada desde abril devido à entrada de 
venezuelanos no país. Imagem: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil 

O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, viral, transmissível, extremamente contagiosa e muito comum na infância.

 

Transmissão

A transmissão ocorre diretamente, de pessoa a pessoa, geralmente por tosse, espirros, fala ou respiração, por isso a facilidade de contágio da doença. Além de secreções respiratórias ou da boca, também é possível se contaminar através da dispersão de gotículas com partículas virais no ar, que podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas. A doença é transmitida na fase em que a pessoa apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas.

 

Sintomas

Os sintomas iniciais apresentados pelo doente são: febre acompanhada de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal e mal estar intenso. Após estes sintomas, há o aparecimento de manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés, com duração mínima de três dias. São comuns lesões muito dolorosas na boca. A doença pode ser grave, com acometimento do sistema nervoso central e pode complicar com infecções secundárias como pneumonia, podendo levar à morte. As complicações atingem mais gravemente os desnutridos, os recém-nascidos, as gestantes e as pessoas portadoras de imunodeficiências.

 

Jornalista: Gabriella Ponte​ (com informações da OMS e do Ministério da Saúde)

 

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