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Nova edição de Memórias do IOC aborda febre amarela, leishmaniose, Hib e difteria

memorias-2015Uma pesquisa sobre a eficácia da vacina contra a febre amarela, que aponta para a importância da aplicação da dose de reforço em crianças, é um dos destaques da edição atual da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. O artigo defende a necessidade de revisão do último posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, que considerou uma única aplicação da vacina suficiente para garantir a proteção.

Uma mudança de perspectiva também é sugerida em um estudo sobre casos de leishmaniose tegumentar na Amazônia brasileira: o trabalho aponta que parasitos da espécie Leishmania (Viannia) naiffi podem ser mais frequentes e causar infecções mais graves do que se sabia até agora. Abordada em dois artigos com abordagens diferentes, a malária é outro assunto em evidência. Um texto de revisão apresenta a história do combate à doença no Brasil.

Já uma pesquisa de cientistas chineses publicada na seção ‘Anúncios do Genoma’ revela o primeiro sequenciamento completo do DNA de um parasito da espécie Plasmodium vivax no país asiático. Na mesma seção, um estudo genético sugere a existência no estado do Rio de Janeiro de uma linhagem da bactéria Corynebacterium diphtheriae – tradicionalmente associada a casos de difteria – relacionada a danos cardíacos graves.

Nesta edição, confira também um estudo que avalia a Haemophilus influenza tipo b entre as crianças de 10 anos após a introdução da vacina Hib no Brasil. Os artigos da revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ podem ser acessados gratuitamente online.

 

Eficácia da vacina para febre amarela em crianças

Uma pesquisa do Grupo Colaborativo para Estudos sobre a Vacina da Febre Amarela, que inclui pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta para a importância da dose de reforço na imunização de crianças que vivem em áreas com transmissão da doença. Segundo os autores, o estudo indica a necessidade de rever recomendações para a vacinação em dose única, como a emitida pela OMS, em 2013. A produção de anticorpos contra a infecção foi analisada em quase duas mil crianças menores de dois anos, vacinadas contra febre amarela em diferentes momentos. Nas crianças com até nove meses de idade, em pouco mais de 80% dos casos, as taxas de anticorpos aumentaram pelo menos quatro vezes após uma única dose do imunizante. Esse percentual caiu para 69% entre as crianças imunizadas a partir de um ano de idade, o que pode estar associado à aplicação da vacina contra febre amarela de forma simultânea à imunização contra sarampo, rubéola e caxumba. De acordo com os autores, as evidências indicam que uma segunda dose da vacina é necessária para garantir a proteção, já que a primeira aplicação pode não estimular a produção de anticorpos em um número significativo de crianças. No Brasil, a vacinação para febre amarela, nas áreas com transmissão da doença, já inclui o reforço: a primeira dose é indicada aos nove meses e a segunda, aos quatro anos. Confira o estudo.

 

Leishmaniose: espécie rara pode ser relevante na Amazônia

Na Amazônia brasileira, a leishmaniose tegumentar – que provoca lesões na pele e nas mucosas – pode ser causada por sete espécies de parasitos do gênero Leishmania. Entre elas, a Leishmania (Viannia) naiffi sempre foi considerada rara e de manifestação clínica benigna. Um estudo indica, porém, que a relevância e o impacto deste parasito na região podem estar subestimados. Realizado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Universidade de Brasília (UnB) e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, o trabalho analisou 30 amostras de parasitos isolados de lesões cutâneas de pacientes da região metropolitana de Manaus. A espécie L. (V.) naiffi foi identificada em oito delas, sendo a segunda mais freqüente. Nenhum destes pacientes teve evolução natural para a cura antes do início do tratamento. Além disso, em dois casos, os parasitos apresentaram resistência aos medicamentos antimicrobianos. Para os autores, os resultados mostram que a infecção por L. (V.) naiffi pode ser mais frequente e ter consequências mais graves do que imaginado anteriormente. Acesse a pesquisa.

 

História do combate à malária no Brasil

A trajetória das ações para o controle da malária no Brasil é resgatada em um artigo de revisão escrito por pesquisadores do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), da Fundação Pesquisa e Educação de Atlanta, nos EUA, e da UnB. Os autores lembram que, embora casos da infecção fossem descritos desde os anos 1500, as primeiras comissões antimaláricas foram criadas em 1891, motivadas principalmente pela implantação da indústria da borracha e pela expansão da rede ferroviária na Amazônia. A partir daí, diferentes estratégias de controle foram implementadas, incluindo desde a remoção de bromélias e de áreas de mata próximas a cidades até o uso de medicamentos antimaláricos e inseticidas. As diversas formas de organização e financiamento das ações de controle da doença são elencadas, chegando até o atual Programa Nacional de Controle da Malária do Ministério da Saúde. Os autores ressaltam que o trabalho não busca analisar a trajetória do combate à doença no Brasil, mas pretende apresentar uma narrativa cronológica, que possa servir de ponto de partida para pesquisadores interessados no tema. Leia o artigo.

 

Decifrado genoma do parasito causador da malária na China

Pesquisadores chineses apresentam pela primeira vez o sequenciamento completo do genoma de um parasito Plasmodium vivax isolado no país. A espécie – que é o agente causador da malária mais frequente fora da África – responde por cerca de 40% dos casos registrados na China, sendo encontrada principalmente na área de fronteira com Mianmar. Segundo os autores, apesar da sua relevância clínica, existem poucas informações sobre a variedade genética do P. vivax. O primeiro sequenciamento completo do DNA de um parasito da espécie ocorreu em 2008, e há pouco mais de 20 genomas decodificados registrados no banco de dados do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI, na sigla em inglês). Além de contribuir para o conhecimento sobre as características genéticas do P. vivax, os pesquisadores esperam que o trabalho ajude no controle da doença na China. De acordo com eles, a decodificação deste genoma é especialmente importante para o país devido ao aumento do número de casos de malária entre viajantes, o que pode ampliar a infecção para novas áreas. Veja o estudo.

 

Fatores genéticos de agressividade em bactérias Corynebacterium diphtheriae

As bactérias da espécie Corynebacterium diphtheriae são conhecidas por produzir a toxina causadora da difteria. No entanto, variantes desses micro-organismos que não produzem a toxina também podem causar doenças que vão desde infecções de pele até casos graves que afetam o coração e as articulações. Com o objetivo de investigar características genéticas que podem contribuir para a agressividade destas variantes da bactéria, pesquisadores do IOC, Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizaram o sequenciamento do genoma completo de um exemplar de C. diphtheriae isolado, em 2013, de um paciente do Rio de Janeiro que desenvolveu infecção do coração provocada pelo micro-organismo. Entre os genes decodificados, os cientistas identificaram alguns já conhecidos pela associação com a virulência. Além disso, a comparação com 16 bactérias deste tipo que já tiveram o DNA decifrado revelou semelhanças entre a cepa estudada e duas outras encontradas em pacientes do Rio de Janeiro em 2000 e 2003. Para os autores, o resultado sugere a existência de uma evolução no estado de uma linhagem de C. diphtheriae que, apesar de não estar associada a casos de difteria, pode causar danos graves ao coração.Acesse o artigo.

 

Fonte: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

 

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